(Enviado para mim por uma amiga querida, reli hoje)
A vida te obriga, meu caro. Te obriga a criar uma, duas, dez possibilidades. Te faz criar planos que dão errado. Traçar caminhos, e desenhar a rota de retorno em seguida. E você vai mudar de ideia, rever conceitos e desistir de sonhos. Porque parar no meio de uma estrada sem saber pra que lado ir é uma das situações mais comuns entre os seres pensantes. Tropeçar, caír, ralar joelhos, arranhar o orgulho também. E pode chorar, chorar de novo, diversas vezes. Porque eu sinceramente espero que não exista limite nem pra isso, e nem para as lamentações/risonhas aos bons amigos com copinhos cheios de cerveja na mão. Eu realmente espero que este limite não nos imponham em nenhuma circunstância. Mas o mundo faz um tipo difícil de engolir. Não é muito bom, nem muito bonito. E saiba: ser injustiçado faz parte. A sociedade é cruel e tem lá suas armadilhas quase invisíveis, de consumo, de medo, de solidão. É bem como se diz: a cidade te engole. A vida, dolorida, amargurada, confusa, te faz temer o dia de amanhã. E te soterra com pedaços de mágoa passada, amor-próprio ferido, saudade, desespero. A vida te soterra, sendo você um bom garoto ou não. E, por favor, não tente ser perfeito. E saiba que em algum momento todos enlouquecem. Cuide para que não seja irreversível. Não é nada fácil ser fiel a si mesmo, mas talvez seja a maneira mais confiável para preservar a liberdade, ao menos. Somos cercados por rotina, trabalho e desejo - nem todos confessáveis, nem todos possíveis. E há bastante dificuldade invencível ao redor. Mas há um jeito de sorrir enquanto isso: valorizar o que se tem nas mãos é uma arte. Não rende louros de fama, sucesso e dinheiro, mas faz com que não morra aquela vontade necessária de levantar da cama a cada manhã. Arte nascida na crise, arte dos fortes e dos que não têm mesmo muita escolha. Arte para que as olheiras sejam menores e para que o sofrer não nos engula de uma só vez. É só na marra que se aprende a comer pelas beiradas. Tente. Não queime a língua, e curta o sabor. É o jeito.
Fonte: http://pequenorascunho.blogspot.com/2011/04/comendo-pelas-beiradas.html
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